sábado, 12 de fevereiro de 2011

Greve

A greve é das poucas armas que o nosso povo, infelizmente, ignorante possui para combater a aristocracia moderna que, há já trinta anos, tem governado o nosso país numa alternância de cargos, em que as mesmas pessoas ocupam as mais privilegiadas cadeiras do poder.
Como é óbvio uma greve não é a solução para um aumento da produtividade, mas a questão é, o povo não deve ficar calado enquanto lhes roubam o pouco que tem, o estado do país é reflexo de décadas de más políticas. Mesmo assim, os que de lá de cima se riem, não são mais culpados que o cidadão comum que num dia de trabalho se ausenta inúmeras vezes para fumar um “cigarrinho”, que não cumpre o seu dever de modo eficiente e que através de artimanhas tenta inebriar o patrão.
Ora os patrões são outros dos culpados da nossa conjuntura económica, com a sua sede ambiciosa de lucro cortam famílias ao meio com as suas falências motivadas por mercados mais competitivos, com a sua incompetência em organizar ou elaborar um método que dinamize a sua empresa, falta de capacidade empreendedora e fugas consecutivas aos impostos e às obrigações como entidade paternal.
Assim, num jogo em que a batata quente é a responsabilidade, cada um se descarta dela o mais rápido possível, ao mesmo tempo que, já com as mãos livres, se aprontam a apontar a quem a possua nesse momento. De facto existem pessoas trabalhadoras, responsáveis e fiéis as suas funções laborais, mas são muito poucas para um país que se devia basear nesses modelos para evoluir.
A greve surge assim nestes dias como a única forma de patrões, empregados, empresários e metalúrgicos, afirmarem o seu descontentamento em uníssono contra a inércia política que os tem governado. Um exemplo dessa apatia política são as medidas de austeridade, que chegam mais tarde à nossa economia que D. Sebastião a um compromisso num dia soalheiro, sendo a falta de antecipação, o medo e incapacidade de formular novas reformas causas óbvias da nossa decadência actual.